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Há uma certa tendência para termos as nossas relações fraccionadas.
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É fácil termos uma pessoa para ir ao cinema, outra com quem dançar, outra para dar umas fodas selvagens, outra para nos reconfortar a alma, outra para irmos de férias, outra para as festas, outra para os passeios, outra para jogarmos playstation, outra para mimar, outra para nos fazer o jantar...
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É cómodo, é moderno, e sem riscos. Acho que isto até foi tema de um episódio do “Sexo e a Cidade”. Ou seria de um livro da Margarida Rebelo Pinto? Tambem não interessa…
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Cada pessoa está bem arrumada no seu nicho, cada uma tem um papel definido (pelo menos aos nossos olhos...) Só estamos com cada uma delas quando e enquanto nos apetecer. Sempre que ela não cumpra a sua função podemos ir buscar outra donde esta veio. Muito pratico!
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Mas ás vezes há problemas com pessoas que não sabem o seu lugar...
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Por exemplo imaginem que o “reconfortador” se passa da cabeça e começa a querer também ser o “fodedor”? Não pode ser, pois não? Lá por ter acesso directo à nossa alma não quer dizer que também possa ter ao nosso corpo. Onde é que já se viu? Como é que é possível um gajo dar uma foda potente em cima da mesa de jantar a uma gaja que nos conheça e compreenda? Dá para lhe chamar nomes e pegar nela por detrás e dar-lhe com alma? A uma gaja que eu respeite e admire?? Não pode! Era o fim do mundo! Não há tesão para uma coisa dessas! Nem ela se ia sentir à vontade a chupar um gajo que sabe que ela chorou depois do primeiro beijo aos 12 anos…
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Por isso o importante é manter as coisas bem arrumadinhas, ter sempre na ponta da língua um “Somos só amigos!” e sorrir!
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Principalmente sorrir a este mundo novo e admirável das relações fraccionadas.
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(Mas... e se durante o cinema nos apetecer dar a mão? Ou se depois da foda selvagem em cima da mesa de jantar sentirmos um impulso para abrirmos a alma?
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E se nos fartarmos de estar sempre com todos e nunca com ninguém?
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Como é que fazemos? )
Bons Martinis!






