Basicamente, enganei-me!
Enganei-me nas esperanças, enganei-me nos lugares, enganei-me em alguns amigos, enganei-me na maior parte das mulheres, até me enganei no meu peso. Mas principalmente enganei-me em mim. E no fundo é deste ultimo engano que nascem todos os outros.
Mas é bom enganar-nos.
Significa que se tentou, que se percorreram os labirintos da vida em busca do bocado de queijo, como um ratinho de laboratório. Significa também que a cada engano e a cada recuo, fiquei mais perto da saída e a saber que não sou como os outros ratinhos que ficaram lá atrás, assustados á entrada do labirinto, á espera que “algo” aconteça.
Cada engano, no fundo é a eliminação de uma hipótese errada, ficando no fim e por eliminatórias, aquilo que efectivamente é importante. Implica alguma resiliência à frustração e um constante pôr em causa aquilo que se tomava como adquirido, nomeadamente quem sou, o que aqui faço e para quero ir.
Por isso, tendo sido turvo, foi um bom ano.
I can see clearly now, the rain is gone,







