terça-feira, 2 de maio de 2017

Muros


Sentados, confortáveis, no parapeito de um copo de gin tónico, é simples julgar os outros. Senta-mo-nos; Observamos; Formamos opinião e, por fim, num assomo de justicialismo primário, atiramos a matar, um julgamento sobre os restantes.

Isto anda tudo com os fusíveis queimados!

Reconheço na observação um cinismo puro e pequeno, como devem ser todos os cinismos de quem procura nos fracassos alheios, as respostas para os fracassos próprios. É nisso que andamos a viciar-nos. Andamos a desculpar-nos através dos julgamentos que formamos dos outros. Porque no fundo dói menos. Mais, achamos que se os outros também falham - e com sorte falham muito e muitas vezes - isso faz com que sejamos menos culpados. Ficamos felizes por não sermos os únicos miseráveis afectivos.

Bem-vindos oh desencantados das vidas afectivamente vazias…

Mas porque nos tornámos tão desgraçadamente dependentes da desgraça alheia?

Porque, de tão modernos e desempoeirados que somos, não nos demos conta que ainda ficámos lá atrás, no “para sempre”. Esse é o conflito dos nossos dias. Durante anos pensámos que o equilíbrio passava por conviver bem com as consequências das nossas decisões, quando de facto o equilíbrio passa fazer com que as nossas expectativas não saiam goradas pela nossa realidade

O “para sempre” dá-nos a esperança inverosímil da voracidade das paixões de verão, mas mata-nos com a realidade das noites frias e sós de inverno.

E que realidade é essa?

É aquela que nos estimula todos os dias a ser melhores, a ter coisas melhores, em não nos deixarmos vencer pelo conformismo. A ambição pelo que não temos turva-nos a capacidade de olharmos para o que temos. O parapeito de onde pensamos olhar o mundo é afinal o muro sobre o qual construímos narrativas de frustração, pelo emprego do outro, pelo carro do outro, pela casa do outro, pelas férias do outro e, pelas pessoas que supostamente dormem com o outro. A inveja é tanto maior quanto menor o número de cavalos que nosso carro tem, ou de quartos a nossa casa possui, ou de milhas que viajamos por ano. Vivemos numa realidade em que somos aquilo que conseguimos mostrar. Nada mais. Somos aquilo que conseguimos fazer. Nada menos. E haverá maior conformismo que esse?

Transformámos as pessoas de que julgamos gostar em elementos de prova do sucesso, seja lá o que isso for!

Se não conseguimos ter alguém ao nosso lado, somos nada. Zeros. Vazios. O “Para sempre” não permite olhar para o outro lado e perceber que uma cama cheia, pode ser afinal a vida mais vazia que podemos ter.

As nossas relações nascem, vivem e matamo-las dessa forma. Queremos que tudo corra bem. Que se correrem mal, que a culpa não seja nossa… ou só nossa. No fim do dia, as relações modernas são um simplório balanço de culpas. Escondemo-nos no “ambos temos a culpa” ou até num magnânimo “Todos têm a culpa” para aliviar as nossas próprias penas. No fim, somos todos uns cobardolas e é mais simples achar que amanhã vamos encontrar alguém que nos acrescente, quando na verdade buscamos alguém que nos preencha os vazios. Andamos todos à procura de alguém que nos dê sentido quando nem sequer paramos para pensar para onde queremos ir. Andamos todos à procura de algo que nos valide perante quem nos observa do parapeito, quando na verdade apenas nos andamos a tentar equilibrar em cima do muro e de um lado está o que queremos e do outro o que nos faz feliz…

Resta saber para que lado do muro queremos cair, já que saltar está difícil.

Por isso:

Que se foda o “para sempre”!

Viva o “para já”…

Porra!

do vosso
Dumal

Literaturas



Ela - Tens uma foto muito gira no Face... Passa um dedinho pelos lábios e ficas igualzinho ao outro. Bj Boa semana

Eu - Se ainda fosse um dedinho teu...

Ela - Olha... também é boa ideia! Um dedinho... ou não...

Ele - Temos de resolver isso.

Ela - Ficou pendente. E toda a gente sabe que isso não é bom.

Ele - "A melhor forma de lidar com uma tentação é..."

Ela - Ceder. Diz o Wilde..

Ele - Passas lá por casa?

Ela - Para discutir Oscar Wilde? Temos de combinar isso...

Ele -Sim. E Henry Miller

Ela - Eu cá sou Capricórnio. Gostas dos trópicos?

Ele - Prefiro a namorada: Delta de Venus.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Tias


Eu gosto de Tias!

Acho que comecei a gostar de tias com uma que me ensinou a gostar de ópera e a beber chá, mesmo não sendo nada Tia. Ora é aqui que reside o fulcro da questão: É que nem todas as tias são Tias, mas algumas Tias são tias. De outros que não eu, que não me chamo Gonçalo, Bernardo ou João Maria.

Apesar do conceito de Tia não ser bem claro para um estrangeiro (Não é só questão de ter dinheiro, porque algumas não têm, nem de se nascer em Cascais, porque algumas não nasceram) para um nativo ele é claríssimo e tentando resumi-lo diria que TIA é um espécime feminino acima dos 35 anos e com um certo estilo de vida e atitude. (porque se tiver menos de 35 anos é pita e tem swag!)

Por isso eu gosto de Tias!

Há dois tipos de Tia:

 - A Tia Cristã/Hippie (Sim! Se pensarem bem, no fundo é a mesma coisa ter estudado no Ramalhão ou chafurdado em Glastonbury) que pauta pelo seu look “Au Naturel” sem nunca ter usado maquilhagem, protector solar ou soutien.  E se aos 20 a pele e as marufas lhe ficavam bem, aos 40 já está a pedir um transplante total.

 - A Tia Bem. E são destas que gosto! Gosto porque visualmente são… Bem! Aos 20 não se fiaram na natureza e aos 40 ainda estão… lá está: BEM! É certo que tudo isso é as custas de muitos cremes regeneradores com Q0, óleos naturais de colza e um ou outro implante, mas dado o facto já estabelecido e claríssimo que os homens são bichos fáceis, o que é que isso interessa ???

Outra coisa que eu gosto nestas Tias é que são fáceis. (Sim! Também nesse sentido!)

Normalmente viveram um conto de fadas com o Bernardo (de famillias imeeesamente bem!) que conhecem desde o seu batizado, o qual é um bocado para o choninhas mesmo (eu diria porque…) tendo um Audi TT e um MBA do INSEAD. Dai o conto de fadas, que como se sabe tem sempre poucas fodas. (tirando as que fizeram os 5 filhos, claro…)  O resultado é que quando se divorciam ficam fascinadas por homens que tenham andado de carrinhos de esferas na Morais Soares ou atirado pedras aos betos do Pedro Nunes (Desculpa Marcelo, não era para te acertar…) È o Sindroma do  “Lady and the Tramp”.
Por isso… gosto, sei lá!
 
 
PS: Na sequencia da publicação deste post uma amiga minha (Não Tia, mas sobrinha como irão perceber) contou-me a origem de tal titulo e o meu lado de historiador histrônico não resistiu!. Com efeito ele terá tido origem numas ferias de Verão em 1972, no Algarve. Passo a citas:
"No Algarve, com as minhas amigas, mas inicialmente era tia e o nome, por exemplo tia Maria, para distinguir das tias da família que eram só tias tínhamos 8 anos e ramos 65 miudos. Ahahah"
 
Momento histórico e de serviço publico...

quarta-feira, 26 de abril de 2017

texto verdadeiramente cientifico a propósito de mamiferos em extinção e ressabiadas


Qual a grande diferença entre uma ressabiada e uma Onça-pintada?

Ao contrário da Onça-pintada (1), a ressabiada não está em vias de extinção, antes, está em forte expansão, podendo mesmo ser considerada como uma epidemia à escala global, com tendência para se transformar em pandemia.   
Se a Onça-pintada se concentra nas florestas húmidas da américa do sul, a ressabiada está disseminada por todo o lado podendo estar em qualquer parte desde locais de trabalho a sítios de diversão nocturna sendo de evitar a todo o custo que a mesma se encontre do outro lado da vossa cama. Uma ressabiada que viva no outro lado da vossa cama é coisa para ser uma praga. É mais simples emigrar para a Mauritânia e viver feliz num país em que não se vende álcool do que desalojar uma ressabiada da vossa cama.

Já a distribuição demográfica do ressabianço é mais concentrada porém uma ressabiada atinge a maturidade a partir dos 35 anos, especialmente se for solteira e não tiver filhos.

Uma ressabiada caracteriza-se pela dificuldade que tem em conviver com outras fêmeas da mesma espécie que estejam felizes ou realizadas ou, simplesmente, sejam magras. Juntar no mesmo local uma ressabiada e uma outra senhora que possua pouca celulite, tenha 2 filhos bonitos e um marido sem barriga de cerveja e com ombros largos, é a mesma coisa que dar os códigos nucleares a um pirómano. Porém, à medida que a idade vai avançando, a ressabiada vai ficando menos exigente e vai soltando veneno sobre outras senhoras mesmo que as mesmas sejam gordas, vivam no Cacém, tenham 4 putos ranhosos e um marido que já não vislumbre a sua masculinidade há 25 anos.

Uma ressabiada não tem inveja da felicidade das outras. Uma ressabiada tem inveja daquilo a que julga ter um direito natural.

Outra das características de uma verdadeira ressabiada é que a mesma se julga a “ultima coca-cola do deserto”. Sim, uma ressabiada é uma pessoa que se olha no espelho e se vê uma Charlize Theron, quando na verdade é apenas uma Toyota Hiace pintada de beije.

A melhor forma de ajudar uma ressabiada é: Fugir dela. Ponto!

As ressabiadas, normalmente, atacam em grupo, usualmente no Urban Beach, podendo algumas alargar o seu raio de acção para fora do seu habitat natural para roof tops e zonas lounge, facto que impõe uma atenção redobrada aos incautos machos modernos.

Se há coisa que as redes sociais nos vieram ajudar é na capacidade de determinar com razoável precisão e à distância higiénica de 45 selfies e meia dúzia de frases feitas se uma senhora é ou não uma ressabiada. Se ela no seu perfil do Facebook ou Instagram tem 9 mil fotografias só da cara, é natural que para além de ressabiada seja gorda. Se reproduz frases de auto-ajuda do Osho, é mais que provável que para além de ressabiada e gorda seja também burra.

Sendo assim, vão lá viver e se possível evitem as Onças-pintadas.

Do vosso

Dumal

 

 

  1. – Onça-Pintada: Espécie de gato, mas maior.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Expressividade Feminina


 Confesso que este é um tema de amplo espectro vocal, o qual, não sei bem por onde pegar. Se a norma diz que seja de frente, já a ousadia me impele para a tomar por detrás. Á expressividade, claro…
Seja!

Começando pelo fim, direi que já se me expressaram de várias maneira diferentes e se a tentação é para agrupa-las em padrões, a realidade é que tal seria impossível dada a diversidade de exclamações, suspiros, aspirações, ou mesmo suspensões de tudo. Se há norma é que cada moçoila é diferente nas suas expressões, o que em muito contribui para o encanto da sua descoberta.  Já ouvi murmúrios de arranhar a pele, já tive gatas a ronronar e ratinhas a chiar, já me gritaram até ser comentado em reunião de condóminos e já julguei estar num filme pornográfico pela vernacularidade do inglês que saia daquela boca. Bem bonita, por sinal…

Perguntava-me Mr Dumal se haveria outra expressividade, e efetivamente não há! Ou pelo menos em quantidade apreciável para ser digna desse nome. Exceção claro, para aquele amante de uma amiga minha que tinha por hábito relatar tudo como se fosse um jogo de futebol, indo dos menores detalhes aos lances mais emocionantes. Jogaram só duas vezes, claro. A primeira foi surpresa, a segunda confirmação.

Com efeito é sabido que o homem é um ser básico (e o problema das mulheres é não entenderem esta simples verdade…) que só consegue funcionar com uma cabeça de cada vez. Por isso se uma está ocupada, a outra não consegue expressar-se…

 

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Louca na Cama - LNC


Mas o que é uma louca na cama?
Nas principais tabernas e roulottes de couratos, escrevem-se compêndios sobre este estatuto. Particularidade: Todos os homens – que frequentam tabernas e roulottes de couratos - já dormiram com pelo menos uma “louca na cama”, mas na realidade nunca ninguém viu uma. A “louca na cama” é uma espécie de monstro do Lochness do Cais do Sodré, mas com uma maior probabilidade de acordar com um mau hálito a bater-nos nas fuças e cabelo a entrar-nos pelas narinas adentro.
Há mulheres que se definem como “louca na cama” o que seria um óptimo resume de entrada:
– Olá, eu sou a Ermelinda, sou farmacêutica, gosto do running, de sunsets na Parede e sou uma “louca na cama”
No mundo ideal a malta ficaria contente porque também gosta da Parede e atira-se ao naco como leão à gazela mais rechonchuda. O problema é que o leão não se atira às gazelas (são as leoas que o fazem) e ao fim de dez minutos percebemos que essa “louca na cama” se trata apenas de uma maluca. Ora, uma maluca é uma maluca, uma louca na cama é uma “louca na cama”. É a mesma diferença entre um sunset na Parede e um por do sol em Carcavelos, pode parecer o mesmo, mas falta-lhe o odor da Buraca.
Quais os critérios que elevam uma senhora com estatuto de “dona de casa desesperada” a “louca na cama”?
Há um critério – e só um – essencial para perceber se uma dona de casa é afinal uma louca na cama: Uma “louca na cama” viu todas as séries do Sexo e a Cidade mas já contactou, de facto, com um orgasmo. 
Aparentemente este critério é falível, mas se pensarem que isso pressupõe que a pessoa em causa conhece de facto o seu corpo…
exacto…
Sejamos honestos. Da mesma forma que há pessoas que chumbam 3 vezes no exame de código e ao fim de 12 tentativas, lá passam na condução derivado ao sorriso que fizeram ao examinador de 85 anos, também há senhoras que não nasceram para ser “loucas na cama”. Estão muito bem para se apresentar à tia-avó conservadora de quem vamos herdar o t3 na Rinchoa, mas ficamo-nos por isso.
Ser uma “louca na cama” não é uma questão de vontade mas de talento.
Por outro lado, e mais importante, a esmagadora maioria dos homens não sabe lidar com uma “louca na cama”. Alguma vez macho que gosta de emborcar imperiais com os amigos está para se cansar e olhar para a sua companheira com o único objectivo de saber onde lhe tocar? Claro que não. É mais fácil adicionar mais 250 amigas no facebook! Ou ir uma semana para Ibiza quase “comer” bifas embriagadas. Muito mais fácil.
Amigas e amigos:
Ter uma “louca na cama” é como conduzir um fórmula 1; A malta acha que tem unhas, mas é provável que se espatife todo na 1ª curva, ou então seja obrigado a optar por uma condução mais defensiva, que reduza o risco de felicidade, digo velocidade, e nunca saberá o que é passar com as orelhas a 10 centímetros dos rails de protecção a 350km/h… e isso sim, é emoção da boa.
Do Vosso
Mr. Dumal

quinta-feira, 13 de abril de 2017

TINDER


Conceito: TINDER

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O Tinder é uma daquelas coisas que toda a gente sabe o que é, toda a gente tem instalado, mas ninguém (diz que) usa. E se usa é só desde há uma semana e “foi-o- meu-filho-que-instalou-e-tu-és-o-primeiro-com-que-eu-saio”, que deve ser das frases que eu mais ouço num primeiro encontro, apesar de saberem que eu acho que cada senhora solteira tem o direito de sair com quiser ou de deixar entrar quem lhe apetecer…

Sendo eu aquele cavalheiro sexy e atraente que vocês conhecem, tenho alguma tendência em acreditar que efetivamente fui o único (ou o primeiro) homem que fez aquela mulher sair de casa, embebida nesse misto de curiosidade e volúpia que a minha personalidade fascinante desperta nas mulheres. É por essa altura que o sonho acaba e a realidade de que efetivamente o que ela está a fazer é a proteger o seu ego e a não “parecer mal” vem ao de cima!

É giro que num mundo cada vez mas App, 4G, wi-fi e tal, ainda haja este prurido com conhecer pessoas pela net. Ou o melhor: com o assumir que o fazem. Porque a verdadeira questão (especialmente para as mulheres) é que assumir isto parece implicar que não se é suficientemente atraente para alguém se interessar por nós no mundo real, e que depois do divórcio, e com os amigos todos casados, percebem que afinal o círculo social se limita ao gato, o que é um bocado limitativo para estabelecer novas relações.

Algumas das pessoas mais importantes da minha vida (Sim, tu!) conheci-as pela net, seja em sites de encontros (ainda existem?) pelos blogs ou pelo Tinder (Sim! Assumo! Eu uso o Tinder! E devo ser o único português que o faz, a avaliar pelas respostas que tive quando perguntei aos meus amigos.) A principio diziam-me que ali só havia feias, taradas ou desesperadas e que (seja em que meio for) nunca encontraria alguém significante. Pura mentira!

Rapidamente percebi que quem lá está são exatamente as mesmas pessoas que estão ao nosso lado no trabalho ou no supermercado (e esta do supermercado não é inocente, porque a grande moda nos anos 80 era engatar nos supermercados. Isto nunca fiz porque era tímido e inibido na altura, mas o certo é que o Tinder dos anos 80 era o Pão de Açucar!) sem tirar nem por, de todas as cores e feitios, de todos os estratos socais, níveis culturais e línguas (e algumas bem habilidosas…)

Tanta gente moderna numas coisas e atrasadas noutras…

Bons Martinis!

 

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Millennials


Conceito: Millenials A praga do seculo. E pronto! Está tudo dito. Só espero que não seja a do millenio…
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Trabalho numa empresa atacada por uma praga de Milleniarite Aguda. Ainda o ano vai em Abril e já foram 4 os eventos “Incriveis-o-top-o-máximo-que-ninguém-pode- faltal-e-que-vai-mesmo-mudar-tudo” e nem falo dos “Lanches-solidários-para-com-as-vitimas-da-descriminação-alfabética”, os seminários de Mind Fullnes (Epa! Mas ainda não perceberam que de cabeça cheia já andamos nos?) Taichi Yogi ou Meditação Vegan. E sim leram bem: Isto tudo NO TRABALHO!
E as App? Então ai é a verdadeira loucura. Ás vezes tenho a impressão que o objectivo desta empresa é gerar likes no facebook e no instagram, e sermos todos amigos no Linkedin. Eventualmente ás vezes lá se faz alguma coisa produtiva para pagar isto tudo.

Eu cresci na geração yupie e apesar de nunca ter comprado a Lisnave para a vender ás peças ou batido a bolsa de Xangai, trabalhava no duro ás vezes meses inteiros até á meia noite para (esperando..) ganhar muito dinheiro e ficar com a miúda loura. (Não fiquei, não ganhei, mas usava suspensórios á Michael Douglas!) Mas ao menos mexíamos com o mundo real e concreto. Produzia-se e vendia-se produtos e serviços.

Mas agora uma visualização é como um contrato assinado, um post é um produto cujo sucesso se mede em likes e um evento emocionalmente inteligente é igual a várias centenas de horas extraordinárias.

Passamos da cultura do TER, para o mundo do PARECER. Deixamos de tirar fotos ao que nos rodeia, para sermos o centro das atenções deste admirável mundo novo de faz de conta.



 E não sei se será bom...
Vou mas é dedicar-me aos martinis, antes do próximo evento de Yoga Fullness...
 
 

segunda-feira, 10 de abril de 2017

FADING

CONCEITO: Fading. Do inglês. Fundir, desaparecer, desvanecer. "Fade to Black" dos Melallica, "Fade to white" como no cinema. "A Whither Shade of Pale" dos Procul Harun.
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Uns anos atras (10? Meu deus...) dizia aqui: http://citizenzuko.blogspot.pt/search?q=Arslan que me sentia como o Arslan em cima da colina. Essa imagem tinha um outro significado que não só o apresentado ali.

É que na altura, com 40 anos, eu tinha a noção de estar a meio caminho da minha vida, no topo da colina, e que essa posição de vantagem permitia-me olhar para trás, de onde vim, mas também e pela primeira vez na vida, para a frente, lá para baixo para onde irei.

Armado dessa dupla perspetiva, e sabendo que inevitavelmente teria de começar a descer a colina, vivi o mais que pude e por vezes de uma forma mais caótica do que á partida  poderia imaginar,  durante os breves anos que estive lá em cima. Talvez demasiado...

E um dia começas a notar pequenos sinais aqui e ali...

De repente, em meia dúzia de anos (e agora os anos passam muito depressa) o trabalho onde conhecias todos os colegas, transforma-se num onde nem sabes o que metade dos miúdos que lá estão, fazem. E se soubesse, provavelmente achava inútil ou que era mais uma parvoíce digital. De repente os joelhos doem se passas muito tempo em pé e demoras 3 dias a recuperar daquele fim de semana mais puxado. Ou da noite mais agitada, mesmo que seja numa cama  (ya... o Martini ainda morde...) De repente dás por ti a contar os anos para a reforma (que pode estar só a 4 ou 5 anos de distancia) e a esboçar planos para esses dias. De repente reparas que agora és a geração mais velha da tua família.

E nesse dia sabes que começaste a descer a colina...

"We skipped the light fandango
Turned cartwheels 'cross the floor
I was feeling kinda seasick
But the crowd called out for more
The room was humming harder
As the ceiling flew away
When we called out for another drink
The waiter brought a tray
And so it was that later
As the miller told his tale
That her face, at first just ghostly,
Turned a whiter shade of pale
She said, 'There is no reason
And the truth is plain to see.'
But I wandered through my playing cards
And would not let her be
One of sixteen vestal virgins
Who were leaving for the coast
And although my eyes were open
They might have just as well've been closed
And so it was that later
As the miller told his tale
That her face, at first just ghostly,
Turned a whiter shade of pale
And so it was that later




quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Vodkas e Caipirinhas



Há pessoas que associo a musicas, e sitios que me lembram pessoas. A maior parte ainda lá está atrás, num tempo perdido da minha memória. No liceu, na faculdade, num bar, num campo de férias.. E depois há aquelas que nos acompanham, que orbitam á nossa volta, umas vezes á vista, outras não, mais perto ou nem por isso.porque as orbitras são elepticas.

Mas estão cá.

A primeira vez que te vi ,Vodka, (ou eras a Caipirinha?)  foi num jantar de bloguers no "31 do Armada" faz  6 anos em Novembro. Não foi o primeiro a que fui, mas foi o unico em que sai do Plateau com a organizadora ás costas (saltos altos em calçada portuguesa suck!) depois de descobrir que tinhamos sido colegas de curso com um ou dois anos de diferença.

E desde essa data, por uma razão ou por outra, ou por todas juntas, temos continuado em contacto, sem o vinculo de um interesse ou actividade comum. O que para mim, nomada social inverterado por acaso e opção, é uma raridade.

Por tudo isso, e por muito mais, entre as quais a razão pela qual te chamo madrinha, dedico-te hoje (Não disse! Só depois da meia-noite!) este post com amizade.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

PORTO

Conceito – Porto: A outra metade, a terra dos suevos, o equipamento urbano que deu nome a um pais. A invicta, as tripas, o vinho, os amigos
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Acabei de enviar duas mensagens a outros tantos amigos meus, isto depois de hoje de manhã ter estado a falar com um terceiro, quando reparo que todos eles são do Porto.
Isto intrigou-me, especialmente sendo eu mouro lisboeta empedernido e com muito orgulho, porque estes 3 moços (entre eles os dois co-autores deste blog) devem ser dos tipos com quem mais comunico acerca de assuntos importantes como viagens, gajas, vinhos, gajas, restaurantes, gajas, martinis, gajas e claro… mulheres!
Será que há alguma razão especial para os meus 3 amigos mais próximos, aqueles com que sinto mais empatia, estarem fisicamente longe?
Já as ditas (gajas) têm a estranha tendência de serem mouras encantadas (ás vezes nem isso, mas fica sempre bem dize-lo) o que faz sentido, já que os encantos tendem a esbater-se com a distância.
De qualquer modo não deixa de ser giro, isto das amizades á distância. Depois das coloridas era também só o que faltava.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Balanço

Conceito: Balanço – Para cá e para lá, como um baloiço. Os mais e os menos, as situações e os pontos. Valeu? Vale sempre a pena, sem uma alma pequena.
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Se 2009 foi um Anno Terribili, já 2010 foi um Anno Turvus.

Basicamente, enganei-me!

Enganei-me nas esperanças, enganei-me nos lugares, enganei-me em alguns amigos, enganei-me na maior parte das mulheres, até me enganei no meu peso. Mas principalmente enganei-me em mim. E no fundo é deste ultimo engano que nascem todos os outros.

Mas é bom enganar-nos.

Significa que se tentou, que se percorreram os labirintos da vida em busca do bocado de queijo, como um ratinho de laboratório. Significa também que a cada engano e a cada recuo, fiquei mais perto da saída e a saber que não sou como os outros ratinhos que ficaram lá atrás, assustados á entrada do labirinto, á espera que “algo” aconteça.

Cada engano, no fundo é a eliminação de uma hipótese errada, ficando no fim e por eliminatórias, aquilo que efectivamente é importante. Implica alguma resiliência à frustração e um constante pôr em causa aquilo que se tomava como adquirido, nomeadamente quem sou, o que aqui faço e para quero ir.

Por isso, tendo sido turvo, foi um bom ano.

I can see clearly now, the rain is gone,
I can see all obstacles in my way
Gone are the dark clouds that had me blind
Its gonna be a bright (bright), bright (bright)Sun-Shiny day.

I think I can make it now, the pain is gone
All of the bad feelings have disappeared
Here is the rainbow Ive been praying for
Its gonna be a bright (bright), bright (bright)Sun-Shiny day.

Look all around, there’s nothing but blue skies
Look straight ahead, nothing but blue skies

I can see clearly now, the rain is gone,
I can see all obstacles in my way
Gone are the dark clouds that had me blind
It’s gonna be a bright (bright), bright (bright)Sun-Shiny day.


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Natal

Conceito: Natal – “Noite de paz…” etc e tal, e isso tudo, pois, pois!


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Não sou o único a achar que está toda a gente cheia de trabalho, pois não? Mas assim mesmo muito trabalho, daquele que até faz mudar o cheiro às camisas e não deixar um gajo actualizar os blogs em paz? Daquele que não apetece mesmo nada fazer e que põe os chefes histéricos quando não é feito, mesmo que não o tenham dado para fazer?

Pois...

Bem me parecia...

O Natal não devia ser nesta altura!

É que é uma conjuntura brutal! Reparem: Filhoses, jantares e compras por um lado; fecho de ano, relatórios e vendas de última hora, por outro; juntamente com reveillons, passas e cuecas azuis.

Ninguém aguenta!

Se ao menos o Natal fosse como antigamente, há muitos, muitos anos, eras tu uma criança, no dia 6 de Janeiro, antes do Gregório XXCVIII se lembrar que havia dias a mais e alterar esta coisa toda; ao menos tantos não tinham tanto que fazer em tão pouco tempo.

Por outro lado quem é que se lembrou em ter o final do ano nesta altura, assim no meio do nada? Não fazia mais sentido ter o final do ano aí por Setembro ou Outubro, depois das férias e no início das aulas? Não é aí que sentimos que o ano começa? Assim que chegamos bronzeados de Benidorm ou Cancun (em tempos de austeridade fica mal dizer que se esteve nas Seychelles...) e rasgamos o número de telefone do nosso amor para todo o sempre que encontrámos no lobby do hotel, faz hoje 15 dias.

Alem disso, o Natal ficava muito melhor em Maio ou Abril, que assim sempre se podia curtir uma de pastor e ficar ao relento a ver as estrelas, ou passear à noite junto ao rio com mirra, ouro e incenso. (Já agora, alguém sabe o que é mirra?)

Vou pensar neste tema e voltar a ele lá para Fevereiro, quando achar que não está com nada andar à chuva de bikini no meio da rua, a dançar o samba. Mas não fazia mais sentido o Carnaval ser em Agosto???

Olhem... Vou adoptar o Calendário Maia e lixar-me para isto tudo!

Cancun aí vou eu!


quarta-feira, 24 de março de 2010

Carta para a minha filha


Lembro-me da primeira vez que te vi.

Estavas deitada na maternidade, com umas horas apenas, de lado virada para o vidro que me separava de ti.

Lembro-me de uns olhos grandes, escuros, que me olhavam (se é que os bebés olha para alguma coisa) e lembro-me de, a meu lado, a tua avó dizer-me:
- È ela...

E eras!

Diz-se que a nossa vida muda quando casamos. É mentira! Ela muda mesmo é quando os filhos nascem. É um antes e um depois. Tudo muda!

Olhei para ti e lembro-me de pensar: - Uau... Agora sou pai... – Foi o momento em que interiorizei que, por um lado o seria para sempre, e que por outro não fazia a mínima ideia do que isso implicava.

Nunca ninguém nos prepara para ser pai. Os outros homens que já são pais há mais tempo, quando sabem que vamos pertencer ao “clube”, só nos dão os parabéns e palmadas nas costas, mas não nos dizem como é

E mesmo que dissessem? Uma coisa é saber o caminho, outra é percorrer o caminho.

Sabes o que foi mais assustador para mim? Foi perceber que tudo o que eu fazia e dizia, podia e era absorvido por ti, tomado com modelo e que iria determinar toda a tua visão do mundo e a forma como te relacionas com ele.


Por isso é que sempre nos esforçamos (eu e a tua mãe) por te dar uma visão o mais larga possível do mundo. Gosto de pensar que te vais lembrar do restaurante árabe ao lado da loja judia em Paris, ou que as múmias são só reis antigos. ( Apesar de achar que a Bela Adormecida ou a Hanna Montana ocupa mais espaço na tua cabeça...)

O mundo é um sitio muito grande e vale bem a pena andarmos nele. Naquilo que poder, vou continuar a ser teu guia. Não sei se sou um bom pai; mas, bolas, juro-te que tento ser um.

Beijo


Martini Man
(No Dia do Pai, a escola da minha filha pediu aos pais para este ano oferecerem alguma cois relacionado com o "ser pai". Eu escrevi-lhe esta carta)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Querido Pai Natal 2

Querido Pai Natal,

Confesso que nunca acreditei em ti.
Logo em pequeno surpreendi o meu pai com um saco de presentes a caminho da chaminé da cozinha (uma daquelas antigas, de pedra, que é tão comum nos prédios dos anos 20) e desde então tu deixaste de existir. A dizer a verdade nunca te conheci.
Hoje sei que foi o materialismo dialéctico do meu pai que o fez adiantar-se-te na sua pressa de me por prendas na chaminé. Dai nunca te ter escrito nenhuma carta.
Até há umas semanas atras, aqui em baixo...
Imaginarás a minha surpresa quando recebi a tua resposta no meu email:

“Querido Martini Man
Agradeço a tua carta e tenho o prazer de te informar que farei os possíveis para satisfazer o teu pedido, uma vez que tens sido um menino muito bem comportado:
A prenda que tenho em mente tem 1,67m - 38 anos e posso dizer que é elegante (49kg para fazeres uma pequena ideia). O cabelo é comprido, escuro com madeixas louras. ..../...”

Não fazes ideia do meu espanto... Tanto por afinal ter sido bem comportado (mesmo “muito” dizes tu...) como por efectivamente não só responderes, como fazeres entregas durante todo o ano. Para não falar do excelente bom gosto que tens. É efectivamente uma bela rapariga...

A partir desse dia, ver-te de trenó voador puxado por renas passou a ser tão factual como o Concorde ou um Ferrari: Raros, mas reais!



Um grande abraço, beijos às renas e os habituais caramelos os elfos.

Teu

Martini Man
PS: Já passou o prazo de devolução e a prenda não tem defeitos. Ela diz que tem mau feitio, mas não acredito. Para dizer a verdade, rasguei a guia de remessa no dia que a vi, e acho que fiz muito bem.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Querido Pai Natal - por Fax, o Barman

Querido Pai Natal,

Espero que esta carta te vá encontrar de boa saúde.

Há coisas que nunca mudam. Basta olhar para a forma como te cumprimentei, a mesma de sempre.

Mas também há coisas que mudam. Já estarias tu a pensar que esta carta vem tarde demais, mas não te preocupes:

Este ano não quero que me tragas nada!

Nada, rien de rien. Pode ser que no próximo ano compense e te peça montes de coisas, mas desta vez estou numa de fazer tudo sozinho. E olha que vou ser bastante generoso comigo mesmo! Tenho um monte de auto-presentes na calha, monte tal que faz o Rudolfo pensar que carregar o teu trenó, afinal de contas, é coisa para meninos.

Porquê? Acima de tudo porque me sinto capaz. Depois, porque de vez em quando é preciso fazermos uma sondagem por nós próprios, a todos os níveis, e perceber se se tudo à nossa volta desabasse nós seríamos capazes não só de nos mantermos de pé mas também de voltar a erguer tudo de novo. Tal coisa deve dar uma paz interior impressionante, e é disso que estou à procura.

Por isso, se precisares tu de alguma coisa, avisa. Também mereces.

Grande abraço!
Fax, O Barman a quem trazes sempre presentes, mesmo quando se porta mal

PS: Moço, em 2010, I'm bringing sexy back!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Querido Pai Natal


Escrevo-te para te pedir uma prenda.

Já sei que não a vou receber neste Natal e muito provavelmente nem no dia de Reis, no entanto como o Natal é quando um homem quer (e eu quero muito!) e como agora há essas empresas de entregas porta a porta, estou certo que entregares-me a prenda a qualquer dia do proximo ano, não será problema para ti.

A prenda que eu quero deve ter entre 1,50 e 1.70, de 30 a 45 anos, elegante e com curvas, podendo ser loura, morena ou ruiva. Tambem pode ter origens em qualquer outro continente, que eu não sou esquisito e o exotismo encanta-me. É importante que seja bonita (não vais levar a mal, mas beleza é fundamental) mas como a beleza é frequentemente mais uma questão de atitude do que de proporções faciais, há aqui lateralidade para muita coisa. Mas o principal mesmo, é que seja capaz de se emocionar com um por do sol, apesar das noites porque tenha passado; que goste de ser ver ao espelho pela manha, apesar das rugas que possa ter e que veja a sua vida como um fluxo, por muito parada que possa ter estado.

Gosto pelos outros e por ela, pela noite e pelo dia, por musica e dança, por sexo e conversas (e não é, no fundo, o mesmo?) é altamente valorizado.

Um abraço para ti, um beijo no nariz das renas e caramelos para os elfos

Martini Man


PS: Poderias entrega-la antes do Verão? Assim entre Abril e Junho era mesmo perfeito e já dava para martini times na esplanada, passear de mota até ao Guinho e passar férias juntos. (Eu sei que não tenho mota, mas isso resolve-se!)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

3

Conceito: 3 – Três. A conta que Deus fez. Ou o Diabo... Tantos como os colaboradores deste Blog. 3 Homens, 3 vidas, 3 idades, 3 cidades. Martini Man, nos quarenta, alfacinha de gema, mouro por convicção; Fax o Barman, a sair dos vintes, nascido no Porto e aprendiz de Lisboeta; Joker a meio dos trintas e vivido à beira Douro. A partir de hoje, que não é dia 3...

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A Trindade faz-me lembrar três coisas: O teatro, a cervejaria e a rua que liga ao Bairro e aos Largos.


Do primeiro tenho a memória de peças memoráveis, algumas mais pela actriz que lá se estreava, minha ex-colega de liceu, e que me arrastava para a ver, sob promessas veladas mas nunca ditas, de caricias imaginadas, como tão bem as mulheres sabem fazer.


Da segunda vem-me a sala magnifica e um aniversário miserável na companhia de todos os meus amigos. Só dois na altura... É que há situações em que a quantidade tem, por si só, alguma qualidade e as festas são uma delas. Principalmente quando na mesa temos a medida exacta das nossas competências sociais. Nulas, na época...


Na rua, tantas vezes passada, estão pegadas minhas de estudante do IADE, de dias de nevoeiro como rato de alfarrabista, de guia nativo em tardes solarengas de domingo, de noites de conversa e copos com muita musica e corpos á mistura. (Ou será ao contrario?...)


De nós 3, os autores deste blog, virão conversas e textos sobre a eterna trindade masculina: Mulheres, carros e futebol.


Como de futebol não falamos, por excesso de entusiasmo ou indiferença; e os carros só nos servem para conduzirmos, resta-nos as moças e o que fazer com elas.


Seja!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

KINO - por Fax, o Barman

Conceito: KINO – Abreviatura de Kinesthetics, Cinestesia. Toque. Pele com pele. Latim poupado.
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Gosto do que vejo.


Somos apresentados. Sorrio. Ela sorri. Em trânsito para os dois beijinhos, a minha mão assenta no sítio certo nas costas, e sinto a reacção dela na mão que me agarra o braço.

Isto não vai ser platónico.


Toco nela. Um deslizar aparentemente inocente dos dedos, quando já nem a olhava.
Viro-me para ela e ela para mim. A palma da minha mão rende as costas, o toque é mais quente e demorado. A mão dela vem ter com o meu braço, com o meu peito.
Apontando algo ao fundo da sala, abraço-a de lado. Sinto a minha cintura capturada, uma captura desapontada, quando intencionalmente desfaço o meu abraço.


Dou-lhe um encontrão e faço-me desapercebido. Nenhuma reacção. Tudo bem...

Repito: Dou-lhe um encontrão e faço-me desapercebido. Ela devolve. Finalmente! Eu repito. Ela devolve. O grupo olha para nós de lado. Apetece-nos rir à gargalhada. Agarro os dois ombros, viro-a para mim, puxo-a mais perto. Os olhos dela aliam-se ao sorriso. Volto a pô-la no lugar. Eu belisco-a, ela bate-me.

Não... Isto não vai ser platónico.

Levo-a pela mão, que agarra a minha firmemente, a explorar a casa. A meio reparo na música que nunca ouvi, apetece-me e paramos para dançar.

Céus, como ela se mexe. Isto não vai ser platónico!


A música não abranda, mas nós abrandamos. Caras unidas, respiração ao ouvido, ao pescoço. As mãos navegam sem rumo, os olhos fecham, o mundo pára...


Beijo-a onde o ombro e o pescoço se confundem. Beijo-a na face. Hesito enquanto respiramos sobre os lábios um do outro, que se projectam, perto demais. Beijo-a.
Quebro o beijo, sorrio, sorri, dançamos.

Devolvemo-nos ao grupo. Falhamos miseravelmente ao tentar fazer “ cara de poker” e somos recebidos por alguns sorrisos da amigas. Não viram nada, mas sabem tudo.

Belisco-a. Bate-me. Dá-me um encontrão. Descasco-me a rir. Vou à cozinha. Ela segue-me, primeiro com o olhar e depois, decidida, com o corpo.

Isto já não é platónico há muito tempo.


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Privilégio - por Fax, o Barman

Conceito - Privilégio: Direito ou vantagem concedida a alguém com exclusão de outros. Que se dá. Que se tira.
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Gosto de me dar. Até porque como diria o Justino, "What goes around comes around", e então farto-me de receber. E sabe tão bem, a mim e a ti, e deve ser tão giro verem-nos de fora.

Fugaz... Acordo confuso,
E tento lembrar
Se vieste ou se sonhei.
Desisto e de novo
Me deixo dormir e me devolvo
À imagem que guardei
De ti, e recuso
O mais doce despertar.


Até que o tango deixa de ser a dois. Quando levar-te comigo passa a ser carregar-te só porque não te apetece andar, quando me esforço por abrir caminho e tu brincas às escondidas, está na hora de continuar sozinho.

Deixo as sedas e levanto-me, que está um belo dia lá fora.