Querido Pai Natal,
Confesso que nunca acreditei em ti.
Logo em pequeno surpreendi o meu pai com um saco de presentes a caminho da chaminé da cozinha (uma daquelas antigas, de pedra, que é tão comum nos prédios dos anos 20) e desde então tu deixaste de existir. A dizer a verdade nunca te conheci.
Hoje sei que foi o materialismo dialéctico do meu pai que o fez adiantar-se-te na sua pressa de me por prendas na chaminé. Dai nunca te ter escrito nenhuma carta.
Até há umas semanas atras, aqui em baixo...
Imaginarás a minha surpresa quando recebi a tua resposta no meu email:
“Querido Martini Man
Agradeço a tua carta e tenho o prazer de te informar que farei os possíveis para satisfazer o teu pedido, uma vez que tens sido um menino muito bem comportado:
A prenda que tenho em mente tem 1,67m - 38 anos e posso dizer que é elegante (49kg para fazeres uma pequena ideia). O cabelo é comprido, escuro com madeixas louras. ..../...”
Não fazes ideia do meu espanto... Tanto por afinal ter sido bem comportado (mesmo “muito” dizes tu...) como por efectivamente não só responderes, como fazeres entregas durante todo o ano. Para não falar do excelente bom gosto que tens. É efectivamente uma bela rapariga...
A partir desse dia, ver-te de trenó voador puxado por renas passou a ser tão factual como o Concorde ou um Ferrari: Raros, mas reais!
Um grande abraço, beijos às renas e os habituais caramelos os elfos.
Teu
Martini Man
PS: Já passou o prazo de devolução e a prenda não tem defeitos. Ela diz que tem mau feitio, mas não acredito. Para dizer a verdade, rasguei a guia de remessa no dia que a vi, e acho que fiz muito bem.
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