sexta-feira, 21 de abril de 2017

Expressividade Feminina


 Confesso que este é um tema de amplo espectro vocal, o qual, não sei bem por onde pegar. Se a norma diz que seja de frente, já a ousadia me impele para a tomar por detrás. Á expressividade, claro…
Seja!

Começando pelo fim, direi que já se me expressaram de várias maneira diferentes e se a tentação é para agrupa-las em padrões, a realidade é que tal seria impossível dada a diversidade de exclamações, suspiros, aspirações, ou mesmo suspensões de tudo. Se há norma é que cada moçoila é diferente nas suas expressões, o que em muito contribui para o encanto da sua descoberta.  Já ouvi murmúrios de arranhar a pele, já tive gatas a ronronar e ratinhas a chiar, já me gritaram até ser comentado em reunião de condóminos e já julguei estar num filme pornográfico pela vernacularidade do inglês que saia daquela boca. Bem bonita, por sinal…

Perguntava-me Mr Dumal se haveria outra expressividade, e efetivamente não há! Ou pelo menos em quantidade apreciável para ser digna desse nome. Exceção claro, para aquele amante de uma amiga minha que tinha por hábito relatar tudo como se fosse um jogo de futebol, indo dos menores detalhes aos lances mais emocionantes. Jogaram só duas vezes, claro. A primeira foi surpresa, a segunda confirmação.

Com efeito é sabido que o homem é um ser básico (e o problema das mulheres é não entenderem esta simples verdade…) que só consegue funcionar com uma cabeça de cada vez. Por isso se uma está ocupada, a outra não consegue expressar-se…

 

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Louca na Cama - LNC


Mas o que é uma louca na cama?
Nas principais tabernas e roulottes de couratos, escrevem-se compêndios sobre este estatuto. Particularidade: Todos os homens – que frequentam tabernas e roulottes de couratos - já dormiram com pelo menos uma “louca na cama”, mas na realidade nunca ninguém viu uma. A “louca na cama” é uma espécie de monstro do Lochness do Cais do Sodré, mas com uma maior probabilidade de acordar com um mau hálito a bater-nos nas fuças e cabelo a entrar-nos pelas narinas adentro.
Há mulheres que se definem como “louca na cama” o que seria um óptimo resume de entrada:
– Olá, eu sou a Ermelinda, sou farmacêutica, gosto do running, de sunsets na Parede e sou uma “louca na cama”
No mundo ideal a malta ficaria contente porque também gosta da Parede e atira-se ao naco como leão à gazela mais rechonchuda. O problema é que o leão não se atira às gazelas (são as leoas que o fazem) e ao fim de dez minutos percebemos que essa “louca na cama” se trata apenas de uma maluca. Ora, uma maluca é uma maluca, uma louca na cama é uma “louca na cama”. É a mesma diferença entre um sunset na Parede e um por do sol em Carcavelos, pode parecer o mesmo, mas falta-lhe o odor da Buraca.
Quais os critérios que elevam uma senhora com estatuto de “dona de casa desesperada” a “louca na cama”?
Há um critério – e só um – essencial para perceber se uma dona de casa é afinal uma louca na cama: Uma “louca na cama” viu todas as séries do Sexo e a Cidade mas já contactou, de facto, com um orgasmo. 
Aparentemente este critério é falível, mas se pensarem que isso pressupõe que a pessoa em causa conhece de facto o seu corpo…
exacto…
Sejamos honestos. Da mesma forma que há pessoas que chumbam 3 vezes no exame de código e ao fim de 12 tentativas, lá passam na condução derivado ao sorriso que fizeram ao examinador de 85 anos, também há senhoras que não nasceram para ser “loucas na cama”. Estão muito bem para se apresentar à tia-avó conservadora de quem vamos herdar o t3 na Rinchoa, mas ficamo-nos por isso.
Ser uma “louca na cama” não é uma questão de vontade mas de talento.
Por outro lado, e mais importante, a esmagadora maioria dos homens não sabe lidar com uma “louca na cama”. Alguma vez macho que gosta de emborcar imperiais com os amigos está para se cansar e olhar para a sua companheira com o único objectivo de saber onde lhe tocar? Claro que não. É mais fácil adicionar mais 250 amigas no facebook! Ou ir uma semana para Ibiza quase “comer” bifas embriagadas. Muito mais fácil.
Amigas e amigos:
Ter uma “louca na cama” é como conduzir um fórmula 1; A malta acha que tem unhas, mas é provável que se espatife todo na 1ª curva, ou então seja obrigado a optar por uma condução mais defensiva, que reduza o risco de felicidade, digo velocidade, e nunca saberá o que é passar com as orelhas a 10 centímetros dos rails de protecção a 350km/h… e isso sim, é emoção da boa.
Do Vosso
Mr. Dumal

quinta-feira, 13 de abril de 2017

TINDER


Conceito: TINDER

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O Tinder é uma daquelas coisas que toda a gente sabe o que é, toda a gente tem instalado, mas ninguém (diz que) usa. E se usa é só desde há uma semana e “foi-o- meu-filho-que-instalou-e-tu-és-o-primeiro-com-que-eu-saio”, que deve ser das frases que eu mais ouço num primeiro encontro, apesar de saberem que eu acho que cada senhora solteira tem o direito de sair com quiser ou de deixar entrar quem lhe apetecer…

Sendo eu aquele cavalheiro sexy e atraente que vocês conhecem, tenho alguma tendência em acreditar que efetivamente fui o único (ou o primeiro) homem que fez aquela mulher sair de casa, embebida nesse misto de curiosidade e volúpia que a minha personalidade fascinante desperta nas mulheres. É por essa altura que o sonho acaba e a realidade de que efetivamente o que ela está a fazer é a proteger o seu ego e a não “parecer mal” vem ao de cima!

É giro que num mundo cada vez mas App, 4G, wi-fi e tal, ainda haja este prurido com conhecer pessoas pela net. Ou o melhor: com o assumir que o fazem. Porque a verdadeira questão (especialmente para as mulheres) é que assumir isto parece implicar que não se é suficientemente atraente para alguém se interessar por nós no mundo real, e que depois do divórcio, e com os amigos todos casados, percebem que afinal o círculo social se limita ao gato, o que é um bocado limitativo para estabelecer novas relações.

Algumas das pessoas mais importantes da minha vida (Sim, tu!) conheci-as pela net, seja em sites de encontros (ainda existem?) pelos blogs ou pelo Tinder (Sim! Assumo! Eu uso o Tinder! E devo ser o único português que o faz, a avaliar pelas respostas que tive quando perguntei aos meus amigos.) A principio diziam-me que ali só havia feias, taradas ou desesperadas e que (seja em que meio for) nunca encontraria alguém significante. Pura mentira!

Rapidamente percebi que quem lá está são exatamente as mesmas pessoas que estão ao nosso lado no trabalho ou no supermercado (e esta do supermercado não é inocente, porque a grande moda nos anos 80 era engatar nos supermercados. Isto nunca fiz porque era tímido e inibido na altura, mas o certo é que o Tinder dos anos 80 era o Pão de Açucar!) sem tirar nem por, de todas as cores e feitios, de todos os estratos socais, níveis culturais e línguas (e algumas bem habilidosas…)

Tanta gente moderna numas coisas e atrasadas noutras…

Bons Martinis!

 

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Millennials


Conceito: Millenials A praga do seculo. E pronto! Está tudo dito. Só espero que não seja a do millenio…
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Trabalho numa empresa atacada por uma praga de Milleniarite Aguda. Ainda o ano vai em Abril e já foram 4 os eventos “Incriveis-o-top-o-máximo-que-ninguém-pode- faltal-e-que-vai-mesmo-mudar-tudo” e nem falo dos “Lanches-solidários-para-com-as-vitimas-da-descriminação-alfabética”, os seminários de Mind Fullnes (Epa! Mas ainda não perceberam que de cabeça cheia já andamos nos?) Taichi Yogi ou Meditação Vegan. E sim leram bem: Isto tudo NO TRABALHO!
E as App? Então ai é a verdadeira loucura. Ás vezes tenho a impressão que o objectivo desta empresa é gerar likes no facebook e no instagram, e sermos todos amigos no Linkedin. Eventualmente ás vezes lá se faz alguma coisa produtiva para pagar isto tudo.

Eu cresci na geração yupie e apesar de nunca ter comprado a Lisnave para a vender ás peças ou batido a bolsa de Xangai, trabalhava no duro ás vezes meses inteiros até á meia noite para (esperando..) ganhar muito dinheiro e ficar com a miúda loura. (Não fiquei, não ganhei, mas usava suspensórios á Michael Douglas!) Mas ao menos mexíamos com o mundo real e concreto. Produzia-se e vendia-se produtos e serviços.

Mas agora uma visualização é como um contrato assinado, um post é um produto cujo sucesso se mede em likes e um evento emocionalmente inteligente é igual a várias centenas de horas extraordinárias.

Passamos da cultura do TER, para o mundo do PARECER. Deixamos de tirar fotos ao que nos rodeia, para sermos o centro das atenções deste admirável mundo novo de faz de conta.



 E não sei se será bom...
Vou mas é dedicar-me aos martinis, antes do próximo evento de Yoga Fullness...
 
 

segunda-feira, 10 de abril de 2017

FADING

CONCEITO: Fading. Do inglês. Fundir, desaparecer, desvanecer. "Fade to Black" dos Melallica, "Fade to white" como no cinema. "A Whither Shade of Pale" dos Procul Harun.
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Uns anos atras (10? Meu deus...) dizia aqui: http://citizenzuko.blogspot.pt/search?q=Arslan que me sentia como o Arslan em cima da colina. Essa imagem tinha um outro significado que não só o apresentado ali.

É que na altura, com 40 anos, eu tinha a noção de estar a meio caminho da minha vida, no topo da colina, e que essa posição de vantagem permitia-me olhar para trás, de onde vim, mas também e pela primeira vez na vida, para a frente, lá para baixo para onde irei.

Armado dessa dupla perspetiva, e sabendo que inevitavelmente teria de começar a descer a colina, vivi o mais que pude e por vezes de uma forma mais caótica do que á partida  poderia imaginar,  durante os breves anos que estive lá em cima. Talvez demasiado...

E um dia começas a notar pequenos sinais aqui e ali...

De repente, em meia dúzia de anos (e agora os anos passam muito depressa) o trabalho onde conhecias todos os colegas, transforma-se num onde nem sabes o que metade dos miúdos que lá estão, fazem. E se soubesse, provavelmente achava inútil ou que era mais uma parvoíce digital. De repente os joelhos doem se passas muito tempo em pé e demoras 3 dias a recuperar daquele fim de semana mais puxado. Ou da noite mais agitada, mesmo que seja numa cama  (ya... o Martini ainda morde...) De repente dás por ti a contar os anos para a reforma (que pode estar só a 4 ou 5 anos de distancia) e a esboçar planos para esses dias. De repente reparas que agora és a geração mais velha da tua família.

E nesse dia sabes que começaste a descer a colina...

"We skipped the light fandango
Turned cartwheels 'cross the floor
I was feeling kinda seasick
But the crowd called out for more
The room was humming harder
As the ceiling flew away
When we called out for another drink
The waiter brought a tray
And so it was that later
As the miller told his tale
That her face, at first just ghostly,
Turned a whiter shade of pale
She said, 'There is no reason
And the truth is plain to see.'
But I wandered through my playing cards
And would not let her be
One of sixteen vestal virgins
Who were leaving for the coast
And although my eyes were open
They might have just as well've been closed
And so it was that later
As the miller told his tale
That her face, at first just ghostly,
Turned a whiter shade of pale
And so it was that later




quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Vodkas e Caipirinhas



Há pessoas que associo a musicas, e sitios que me lembram pessoas. A maior parte ainda lá está atrás, num tempo perdido da minha memória. No liceu, na faculdade, num bar, num campo de férias.. E depois há aquelas que nos acompanham, que orbitam á nossa volta, umas vezes á vista, outras não, mais perto ou nem por isso.porque as orbitras são elepticas.

Mas estão cá.

A primeira vez que te vi ,Vodka, (ou eras a Caipirinha?)  foi num jantar de bloguers no "31 do Armada" faz  6 anos em Novembro. Não foi o primeiro a que fui, mas foi o unico em que sai do Plateau com a organizadora ás costas (saltos altos em calçada portuguesa suck!) depois de descobrir que tinhamos sido colegas de curso com um ou dois anos de diferença.

E desde essa data, por uma razão ou por outra, ou por todas juntas, temos continuado em contacto, sem o vinculo de um interesse ou actividade comum. O que para mim, nomada social inverterado por acaso e opção, é uma raridade.

Por tudo isso, e por muito mais, entre as quais a razão pela qual te chamo madrinha, dedico-te hoje (Não disse! Só depois da meia-noite!) este post com amizade.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

PORTO

Conceito – Porto: A outra metade, a terra dos suevos, o equipamento urbano que deu nome a um pais. A invicta, as tripas, o vinho, os amigos
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Acabei de enviar duas mensagens a outros tantos amigos meus, isto depois de hoje de manhã ter estado a falar com um terceiro, quando reparo que todos eles são do Porto.
Isto intrigou-me, especialmente sendo eu mouro lisboeta empedernido e com muito orgulho, porque estes 3 moços (entre eles os dois co-autores deste blog) devem ser dos tipos com quem mais comunico acerca de assuntos importantes como viagens, gajas, vinhos, gajas, restaurantes, gajas, martinis, gajas e claro… mulheres!
Será que há alguma razão especial para os meus 3 amigos mais próximos, aqueles com que sinto mais empatia, estarem fisicamente longe?
Já as ditas (gajas) têm a estranha tendência de serem mouras encantadas (ás vezes nem isso, mas fica sempre bem dize-lo) o que faz sentido, já que os encantos tendem a esbater-se com a distância.
De qualquer modo não deixa de ser giro, isto das amizades á distância. Depois das coloridas era também só o que faltava.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Balanço

Conceito: Balanço – Para cá e para lá, como um baloiço. Os mais e os menos, as situações e os pontos. Valeu? Vale sempre a pena, sem uma alma pequena.
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Se 2009 foi um Anno Terribili, já 2010 foi um Anno Turvus.

Basicamente, enganei-me!

Enganei-me nas esperanças, enganei-me nos lugares, enganei-me em alguns amigos, enganei-me na maior parte das mulheres, até me enganei no meu peso. Mas principalmente enganei-me em mim. E no fundo é deste ultimo engano que nascem todos os outros.

Mas é bom enganar-nos.

Significa que se tentou, que se percorreram os labirintos da vida em busca do bocado de queijo, como um ratinho de laboratório. Significa também que a cada engano e a cada recuo, fiquei mais perto da saída e a saber que não sou como os outros ratinhos que ficaram lá atrás, assustados á entrada do labirinto, á espera que “algo” aconteça.

Cada engano, no fundo é a eliminação de uma hipótese errada, ficando no fim e por eliminatórias, aquilo que efectivamente é importante. Implica alguma resiliência à frustração e um constante pôr em causa aquilo que se tomava como adquirido, nomeadamente quem sou, o que aqui faço e para quero ir.

Por isso, tendo sido turvo, foi um bom ano.

I can see clearly now, the rain is gone,
I can see all obstacles in my way
Gone are the dark clouds that had me blind
Its gonna be a bright (bright), bright (bright)Sun-Shiny day.

I think I can make it now, the pain is gone
All of the bad feelings have disappeared
Here is the rainbow Ive been praying for
Its gonna be a bright (bright), bright (bright)Sun-Shiny day.

Look all around, there’s nothing but blue skies
Look straight ahead, nothing but blue skies

I can see clearly now, the rain is gone,
I can see all obstacles in my way
Gone are the dark clouds that had me blind
It’s gonna be a bright (bright), bright (bright)Sun-Shiny day.


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Natal

Conceito: Natal – “Noite de paz…” etc e tal, e isso tudo, pois, pois!


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Não sou o único a achar que está toda a gente cheia de trabalho, pois não? Mas assim mesmo muito trabalho, daquele que até faz mudar o cheiro às camisas e não deixar um gajo actualizar os blogs em paz? Daquele que não apetece mesmo nada fazer e que põe os chefes histéricos quando não é feito, mesmo que não o tenham dado para fazer?

Pois...

Bem me parecia...

O Natal não devia ser nesta altura!

É que é uma conjuntura brutal! Reparem: Filhoses, jantares e compras por um lado; fecho de ano, relatórios e vendas de última hora, por outro; juntamente com reveillons, passas e cuecas azuis.

Ninguém aguenta!

Se ao menos o Natal fosse como antigamente, há muitos, muitos anos, eras tu uma criança, no dia 6 de Janeiro, antes do Gregório XXCVIII se lembrar que havia dias a mais e alterar esta coisa toda; ao menos tantos não tinham tanto que fazer em tão pouco tempo.

Por outro lado quem é que se lembrou em ter o final do ano nesta altura, assim no meio do nada? Não fazia mais sentido ter o final do ano aí por Setembro ou Outubro, depois das férias e no início das aulas? Não é aí que sentimos que o ano começa? Assim que chegamos bronzeados de Benidorm ou Cancun (em tempos de austeridade fica mal dizer que se esteve nas Seychelles...) e rasgamos o número de telefone do nosso amor para todo o sempre que encontrámos no lobby do hotel, faz hoje 15 dias.

Alem disso, o Natal ficava muito melhor em Maio ou Abril, que assim sempre se podia curtir uma de pastor e ficar ao relento a ver as estrelas, ou passear à noite junto ao rio com mirra, ouro e incenso. (Já agora, alguém sabe o que é mirra?)

Vou pensar neste tema e voltar a ele lá para Fevereiro, quando achar que não está com nada andar à chuva de bikini no meio da rua, a dançar o samba. Mas não fazia mais sentido o Carnaval ser em Agosto???

Olhem... Vou adoptar o Calendário Maia e lixar-me para isto tudo!

Cancun aí vou eu!


quarta-feira, 24 de março de 2010

Carta para a minha filha


Lembro-me da primeira vez que te vi.

Estavas deitada na maternidade, com umas horas apenas, de lado virada para o vidro que me separava de ti.

Lembro-me de uns olhos grandes, escuros, que me olhavam (se é que os bebés olha para alguma coisa) e lembro-me de, a meu lado, a tua avó dizer-me:
- È ela...

E eras!

Diz-se que a nossa vida muda quando casamos. É mentira! Ela muda mesmo é quando os filhos nascem. É um antes e um depois. Tudo muda!

Olhei para ti e lembro-me de pensar: - Uau... Agora sou pai... – Foi o momento em que interiorizei que, por um lado o seria para sempre, e que por outro não fazia a mínima ideia do que isso implicava.

Nunca ninguém nos prepara para ser pai. Os outros homens que já são pais há mais tempo, quando sabem que vamos pertencer ao “clube”, só nos dão os parabéns e palmadas nas costas, mas não nos dizem como é

E mesmo que dissessem? Uma coisa é saber o caminho, outra é percorrer o caminho.

Sabes o que foi mais assustador para mim? Foi perceber que tudo o que eu fazia e dizia, podia e era absorvido por ti, tomado com modelo e que iria determinar toda a tua visão do mundo e a forma como te relacionas com ele.


Por isso é que sempre nos esforçamos (eu e a tua mãe) por te dar uma visão o mais larga possível do mundo. Gosto de pensar que te vais lembrar do restaurante árabe ao lado da loja judia em Paris, ou que as múmias são só reis antigos. ( Apesar de achar que a Bela Adormecida ou a Hanna Montana ocupa mais espaço na tua cabeça...)

O mundo é um sitio muito grande e vale bem a pena andarmos nele. Naquilo que poder, vou continuar a ser teu guia. Não sei se sou um bom pai; mas, bolas, juro-te que tento ser um.

Beijo


Martini Man
(No Dia do Pai, a escola da minha filha pediu aos pais para este ano oferecerem alguma cois relacionado com o "ser pai". Eu escrevi-lhe esta carta)